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Violência contra a mulher: por que a resposta precisa ir além das políticas públicas

Janaína Araújo11 de Agosto 20265 min
Violência contra a mulher: por que a resposta precisa ir além das políticas públicas

Violência contra a mulher: por que a resposta precisa ir além das políticas públicas

Leis são fundamentais, mas enfrentar a violência contra mulheres e meninas exige uma engrenagem maior: conscientização, informação, redes de apoio e responsabilidade coletiva.

O Brasil avançou na criação de leis e mecanismos de proteção às mulheres. Mas existe uma distância entre a existência de um direito e a capacidade de uma mulher reconhecê-lo, acessá-lo e ser efetivamente protegida por ele.

É justamente nessa distância que precisamos concentrar parte da discussão.

Uma mulher sabe identificar quando está vivendo uma situação de violência? Uma menina recebe informação suficiente para reconhecer comportamentos abusivos? Quando precisam de ajuda, elas sabem onde encontrá-la?

Informação, nesse contexto, também é proteção.

Mas não podemos colocar toda essa responsabilidade apenas sobre quem sofre a violência. Governos, empresas, meios de comunicação, redes sociais, organizações e lideranças também fazem parte dessa equação.

“Não podemos continuar discutindo violência contra a mulher como uma pauta exclusivamente feminina. Quando uma política pública existe, mas a informação não chega a quem precisa dela, temos um problema coletivo. Comunicação, empresas, lideranças e sociedade civil precisam entender qual é o seu papel nessa transformação.”

Janaína Araújo, idealizadora do Desert Women Summit Brasil

Uma política pública não funciona sozinha

Enfrentar a violência exige uma rede capaz de atuar antes, durante e depois da denúncia.

Conscientização ajuda a reconhecer.

Informação permite acessar direitos.

Redes de apoio ajudam a proteger.

Sociedade civil, empresas e poder público, quando articulados, ampliam a capacidade de transformar.

Essa é a discussão que o Desert Women Summit Brasil leva para o painel de Políticas Públicas no Marrocos.

Luiza Brunet abordará o enfrentamento à violência e a importância da conscientização de mulheres e meninas.

Tatiana Mandelli discutirá o papel das redes e dos veículos de comunicação na amplificação de informações idôneas e das políticas públicas.

Marta Lívia Suplicy trará para o debate a importância das redes de apoio, da sociedade civil e dos movimentos femininos no enfrentamento às diferentes formas de violência e na construção efetiva da equidade.

Jamile Davies amplia a discussão para a articulação entre iniciativas, lideranças e ecossistemas de impacto, aproximando poder público, iniciativa privada e sociedade civil.

São diferentes perspectivas para uma mesma questão:

como transformar políticas públicas em proteção real?

“Eu não quero que o DWS seja um lugar onde discutimos grandes problemas e voltamos para casa apenas com boas reflexões. Quero que essas conversas provoquem responsabilidade e ação. Se temos voz, influência, empresas e redes de relacionamento, precisamos perguntar o que podemos fazer com tudo isso para alcançar também as mulheres que não estão sentadas à nossa mesa.”

Janaína Araújo

Talvez seja essa a discussão que precisamos amadurecer.

Não apenas o que o Estado precisa fazer, mas o que cada setor da sociedade está disposto a fazer para que os mecanismos existentes funcionem, a informação circule e a proteção chegue a quem realmente precisa.

Porque políticas públicas podem começar no Estado.

Transformação social exige participação coletiva.

Por Janaína Araújo

CEO da LÉKÈ Destination Strategy & Representation

Idealizadora do Desert Women Summit Brasil

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