DWS INSIGHTS
O silêncio que encontrei no deserto mudou a forma como enxergo a vida.

Há desertos que não se atravessam apenas com os pés. Atravessam-se com a alma.
Quando voltei ao DWS (Desert Women Summit), em Marrocos, pela segunda vez, levei comigo uma pergunta silenciosa: teria o deserto ainda algo a me dizer? Eu já conhecia suas dunas, seu silêncio, sua luz que não se apressa.
Mas foi preciso chegar para compreender o que nenhuma memória podia me contar: o deserto não tinha mudado. Quem mudara era eu.
Dizem que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, porque as águas correm, e porque nós também já não somos os mesmos que entramos. Assim é este regresso: o lugar permanece, fiel e imenso, e somos nós que chegamos com outros olhos, outras dores já atravessadas, outra maneira de escutar o vento.
Agora, na terceira edição, descubro que cada volta é uma primeira vez. Outras mulheres, outras histórias, outros silêncios que se encontram sob o mesmo céu. E sei que, mais uma vez, partirei levando mais do que trouxe.
Porque o deserto não nos transforma ao chegar. Ele nos transforma quando aprendemos a ficar em silêncio diante de nós mesmas.
Que venha a terceira travessia.