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Fui ao Desert Women Summit para compartilhar minha história. Voltei escrevendo um novo capítulo da minha vida.

Soraia Zonta03 de Agosto 20264 min
Fui ao Desert Women Summit para compartilhar minha história. Voltei escrevendo um novo capítulo da minha vida.

Há viagens que mudam o nosso destino. Outras transformam quem somos. A minha ida ao Marrocos foi tudo isso e muito mais.

Era um dia comum de trabalho quando recebi uma ligação da Maythe Markowski.

“Soraia, preciso que você faça uma palestra sobre a sua trajetória até chegar à ONU, falando sobre mulheres, negócios sociais e ESG. Só tem dois detalhes: é na semana que vem e será no Marrocos. É um projeto chamado Desert Women Summit e preciso de alguém que tenha conteúdo, domine o palco e inspire outras mulheres. Você topa?”

Respirei fundo.

Eu estava vivendo um momento bastante turbulento da minha vida, daqueles em que a gente continua trabalhando, mas por dentro tenta organizar sentimentos, dúvidas e recomeços.

Mesmo assim, respondi:

“Eu topo.”

Quando contei ao meu marido, ele brincou:

“Você só vai se eu for junto. Vai que alguém queira te trocar por um camelo.”

Rimos muito. Afinal, essa era a imagem que nós, como muitos brasileiros, ainda tínhamos do Marrocos.

Mas ele tinha uma reunião muito importante e acabou não podendo viajar.

Hoje entendo que aquela experiência precisava ser vivida sozinha.

Eu ainda não sabia, mas diante da imensidão do Deserto do Saara aconteceria um dos reencontros mais importantes da minha vida.

Sou uma mulher de muita fé. Há mais de vinte anos sou mestra em Reiki e sempre tive uma forte sensibilidade para tudo o que envolve energia, espiritualidade e propósito.

Mas foi no deserto que vivi uma das maiores revelações da minha vida.

O silêncio do deserto fala.

Na verdade, ele grita.

Entre as longas conversas com Janaína Araújo, idealizadora do Desert Women Summit, e tantos momentos compartilhados com Gabriela Duque, Sylvia Mendes, Cristiane, Cris Conde, Fabiana Simões, Sandra e tantas outras mulheres incríveis, comecei a perceber que alguns encontros simplesmente não acontecem por acaso.

Existem pessoas que chegam para nos lembrar de quem somos.

No meu íntimo, sempre existiu um sonho muito especial.

Eu queria ter uma filha chamada Sarah.

Quando criei uma das primeiras linhas de maquiagens sustentáveis e saudáveis do Brasil, pensei nela.

Quando engravidei do meu filho Miguel, durante os três primeiros meses de gestação, antes de saber que era um menino, eu o chamava de Sarah.

Durante muito tempo achei que essa história tivesse ficado no passado.

Mas o deserto me mostrou algo completamente diferente.

Sarah nunca foi uma filha que eu deixei de ter.

Sarah era a minha menina interior.

Aquela que ama dançar.

Que ri sem medo.

Que faz amizades com facilidade.

Que acredita no impossível.

Que sonha alto.

Que vive com leveza.

A mulher que me tornei construiu empresas, enfrentou desafios, assumiu responsabilidades e liderou pessoas.

Mas, em algum momento, aquela menina cheia de alegria ficou escondida atrás da rotina.

No Marrocos, eu a reencontrei.

Como se Deus estivesse dizendo que ela nunca havia ido embora. Apenas esperava o momento certo para voltar.

E existe um detalhe que tornou tudo ainda mais especial.

Minha palestra aconteceu justamente no dia de Santa Sara Kali.

Nunca fui uma pessoa ligada à devoção aos santos. Minha conversa sempre foi muito direta com Deus Pai, com a natureza e com o Arcanjo Miguel.

Mas, naquele momento, conhecer a história de Santa Sara ganhou um significado profundo.

Padroeira dos povos ciganos, dos nômades, dos viajantes, da lua e dos cristais, Santa Sara representa fé, proteção, resistência e coragem para atravessar o desconhecido.

Era como se toda aquela viagem reforçasse a mesma mensagem.

Era tempo de viver uma nova travessia.

Novas rotas sempre assustam.

Elas exigem coragem.

Exigem confiança.

Exigem a decisão de seguir em frente mesmo quando não conseguimos enxergar todo o caminho.

E talvez seja justamente por isso que elas nos transformam.

Estar no Marrocos, naquele dia, vivendo tudo aquilo, trouxe um significado que jamais conseguirei explicar completamente.

O país, com sua história, suas rotas ancestrais, sua espiritualidade e a força do deserto, parecia reforçar a todo instante que algumas experiências chegam exatamente quando estamos prontas para recebê-las.

Fui ao Marrocos para palestrar.

Levei minha história, minha experiência, meu propósito e o desejo de inspirar outras mulheres.

Acreditava que seria eu quem ensinaria.

Mas, no fim, fui eu quem mais aprendeu.

Assim como as dunas são moldadas pelo vento todos os dias, nós também somos moldados pelas experiências que escolhemos viver.

Voltei para casa diferente.

Mais leve.

Mais inteira.

Mais conectada comigo mesma.

Hoje entendo que o Desert Women Summit foi muito mais do que um evento internacional.

Foi um reencontro.

Com Deus.

Com pessoas extraordinárias.

E, principalmente, comigo mesma.

Por isso, quando me perguntam se eu voltaria ao Marrocos, minha resposta é sempre a mesma.

Voltaria quantas vezes fosse necessário.

Porque existem lugares que conhecemos.

E existem lugares que nos transformam.

O deserto, para mim, será sempre um deles.

A CONVERSA CONTINUA

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