DWS INSIGHTS
Alguns dos melhores investimentos da vida não rendem juros. Rendem perspectiva.

Passei grande parte da minha vida estudando investimentos. Aprendi a analisar números, avaliar riscos, negociar ativos e tomar decisões pensando no longo prazo. Minha carreira sempre esteve cercada por planilhas, indicadores e estratégias. Talvez por isso eu tenha percebido algo curioso depois de mais uma viagem ao Marrocos para participar do Desert Women Summit.
Nem todos os investimentos podem ser medidos em dinheiro.
Viajei para palestrar. Levei comigo anos de experiência no mercado imobiliário, histórias da minha trajetória e a vontade de compartilhar conhecimento com mulheres que, assim como eu, decidiram construir suas próprias histórias. Mas aconteceu algo que já deveria esperar: voltei aprendendo muito mais do que ensinei.
Ao longo da minha carreira, conheci dezenas de países. Cada viagem ampliou um pouco a minha visão de mundo. Mas existe algo diferente quando você passa alguns dias no deserto cercada por mulheres de diferentes áreas, culturas e histórias de vida.
Ali, ninguém é apenas o cargo que ocupa. Existe a empresária, a médica, a jornalista, a escritora, a executiva, a empreendedora. Mas, acima de tudo, existem mulheres que já venceram desafios, enfrentaram medos, recomeçaram quando foi necessário e continuam acreditando que ainda podem construir muito mais.
Foi impossível não refletir sobre isso.
Passamos boa parte da vida buscando crescimento profissional, novos negócios e melhores resultados. Mas, muitas vezes, esquecemos de investir em algo que muda completamente a forma como enxergamos o mundo: as pessoas com quem escolhemos caminhar.
Sempre ouvi que somos a média das pessoas com quem convivemos. Depois dessa experiência, acredito que somos também a média das conversas que escolhemos ter.
Durante aqueles dias, participei de diálogos que dificilmente aconteceriam em uma sala de reuniões. Falamos sobre liderança, maternidade, empreendedorismo, sucessão, coragem, fracassos, propósito e futuro. Ninguém estava preocupado em impressionar. Todos estavam interessados em aprender.
Esse ambiente muda tudo.
Enquanto caminhávamos pelas dunas, percebi que o deserto tem uma característica interessante. Ele tira o excesso. Ali não existem prédios, trânsito, agendas apertadas ou notificações chegando a cada minuto. Existe espaço. Existe silêncio. E, curiosamente, quando o ambiente fica mais simples, nossos pensamentos ficam mais claros.
Talvez seja por isso que tantas decisões importantes da minha vida tenham surgido durante viagens. Quando saímos da rotina, também saímos das respostas automáticas.
Subir ao palco foi uma honra enorme. Compartilhar minha trajetória diante de tantas mulheres inspiradoras me fez lembrar de algo que acredito profundamente: conhecimento só faz sentido quando é compartilhado.
Mas um dos momentos mais especiais daquela viagem aconteceu longe do palco.
Foi durante uma noite no deserto.
Depois do jantar, permanecemos sentadas conversando sob um céu completamente coberto de estrelas. Não havia pressa. Não havia cronograma. Não havia celulares interrompendo as conversas. Havia apenas pessoas. E histórias.
Cada relato trazia uma nova forma de enxergar o mundo. Uma empresária contava como superou uma crise. Outra falava sobre o desafio de começar do zero em outro país. Uma terceira dividia os aprendizados de décadas liderando equipes.
Naquele momento percebi que, muitas vezes, uma única conversa pode economizar anos de tentativa e erro.
Esse talvez seja um dos maiores retornos que um evento pode oferecer.
Não são apenas contatos.
São perspectivas.
Voltei para o Brasil com novas ideias para os meus negócios, novos projetos e amizades que pretendo levar para a vida. Mas voltei, principalmente, com uma certeza: nenhuma trajetória de sucesso é construída sozinha.
Por trás de toda mulher que inspira outras pessoas existe uma rede de encontros, conversas, mentores, oportunidades e pessoas que, em algum momento, ajudaram a ampliar sua visão.
O Desert Women Summit me lembra exatamente isso.
Não se trata apenas de viajar para o Marrocos. Trata-se de escolher estar em um ambiente que desafia a nossa forma de pensar. Um ambiente onde aprendemos tanto nos corredores quanto nas palestras. Onde uma conversa durante o jantar pode valer tanto quanto um curso inteiro. Onde um nascer do sol no deserto pode provocar reflexões que levaremos por muitos anos.
Hoje continuo acreditando em investimentos financeiros. Eles são importantes. Mas aprendi que alguns dos investimentos mais valiosos da vida não rendem dividendos. Eles rendem novas ideias, novas amizades, novos caminhos e, principalmente, uma perspectiva completamente diferente sobre quem somos e sobre quem ainda podemos nos tornar.
No fim, percebi que o maior patrimônio que trouxe de Marrocos não ocupou espaço na mala. Ele voltou comigo, na forma como passei a enxergar o mundo.
E esse é um investimento cujo retorno, felizmente, não tem prazo para terminar.